Primeiro artigo de Aventuras Modernas
Talvez o grande íconde da vida moderna seja o celular, talvez o mp3(4) ou qualquer outra bugiganga que caiba no bolso (nos dois sentidos). Mas eles sozinhos são inofensivos. Voltando um pouco ao título, o ônibus. Ah o ônibus. Boa parte da população já se locomove com sua própria máquina de fumaça personalizada e adequada às suas necessidas, mas o número de pessoas que se deslocam para seus empregos, trabalhos, estudos, cursos, e lojas de mp3 e celulares usa o transporte público, o coletivo, o nosso ônibus da questão. Mas solitário, ele também é inofensivo.
Várias combinações incluindo ambos ou apenas um destes ítens são explosivos sociais em potencial, mas aqui nos limitaremos à estes dois.
A utilização do celular em um ônibus só se torna problemática quando algumas pessoas insistem que tomemos conhecimento de suas ações futuras ou passadas. Pessoas informam à um ouvinte distante o resultado dos exames médicos e os últimos movimentos de seu intestino. Outros se limitam à apenas comentar sobre a última vez que saiu com uma gostosona ou revelam, secretamente à uma amiga, a suspeita de que seu namorado a trái.
O pior de tudo é quando não conseguimos desviar a atenção sobre o assunto conversado. Nos concentramos no importante tédio abandonado em casa, na leitura sobre microorganismos vivos encontrados em marte, ou escrevendo nossa própria mensagem de celular. Mas é impossível, ouvimos cada vez mais alto a conversa alheia. E então começa o mais incrível, quando a conversa termina porque o narrador daquela tão bisonha história chegou no seu destino, queremos saber o final.
Já outros são gênios da arte. Raridades neste mundo de sonolências. Alguns utilizam seus fones de ouvidos, que juntamente com os mp3's (ou algum genérico) isolam-se, neste mundo já isolado, das conversas dos outros, se distanciam e nunca correm o risco de ficarem curiosos com a vida dos outros. Infelizmente, alguns destes exemplares nunca leram o manual de sua, porque não dizer, ferramenta. Desconhecem que existe outro nível de volume diferente de "fique surdo e encha a paciência das pessoas ao seu redor". Apesar de serem criaturas também inofensivas, podem demonstrar uma estranha agressividade momentânea quando lhe chamam a atenção por qualquer razão que seja. "Com licença?", por exemplo é respondido com um sonoro berro "O quê!?!?!" desproporcional para o pedido, porém de acordo com a fantasiosa festa entre as duas orelhas.
Sem mencionar o fato de que a vantagem de possuir um brinquedinho-quebra-fácil-toca-música-próprio é poder ouvir música ruin sem jamais ninguém perceber. Mas algumas boas almas caridosas não-egoístas, querem compartilhar sua música conosco e, ou cantam junto com a música (com uma qualidade vocal inquestionável) ou elevam o volume para que você e eu nos lembremos de parar na próxima parada e comprar a nossa própria máquina de deixo-a-vida-dos-outros-em-paz.
Andar de ônibus nunca foi tão emocionante.
Um comentário:
Cara, uma vez no shopping o segurança chegou na guria e perguntou pra uma dessas almas caridosas, que compartilham a sua poluição sonora que vulgarmente e erroneamente chamam de música, e disse: "Tem fone?"
A guria disse: "Não..."
E o segurança: "Então desliga!"
LOL
Foi meu herói naquele dia! =D
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