
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Coisas de dormir no transporte - O lado de quem sofre
A trilogia do sono - Parte 3
Aqueles que por uma razão ou outra conseguem manter suas 8 horas de sono diárias, somadas às horas de sono na aula e/ou no trabalho, estão sempre descansadas e dispostas aos desafios. Tudo vale pela competitividade, até mesmo derrubar uma senhora idosa para passar à frente e sentar num bando dentro de um transporte público.
Mas, neste mundo justo em que somos obrigados a viver, estamos fadados ao equilíbrio. Este jovem ágil que conseguiu triunfalmente um lugar vago para descansar seu descansado traseiro, não ganha uma medalha, mas sim uma desgraça se ao seu lado acomodar-se uma sonhador moderno, destes que aproveitam todo e qualquer contato com o mundo globalizado para tirar os atrasos da noite.
Num primeiro momento você pode até achar a situação engraçada quando o passageiro ao seu lado começa uma dança ritmada, um vai-e-vem leve e flutuante de olhos fechados. Ele dorme, já deve até mesmo estar sonhando e não fará diferença alguma se você sorrir ou esforçar-se para ser indiferente. E você não passa neste último teste divino de benevolência: sorri.
Ao sorrir uma série de acontecimentos se desencadeiam. A bela adormecida decide que seria mais divertido "banguear" para os lados também, os movimentos se intensificam e ela encontra, timidamente, várias vezes seu ombro. Mas você ainda acha graça. E um ombro tão bem disposto se revela um confortável travesseiro e a pessoa deposita sua cachopa em você. Sua ação é reflexiva, empurra a pessoa para o outro lado. Com sorte ela acorda e desce. Com azar ela bate com mais força no seu ombro como quem marca um lugar. Com mais azar ainda ela já volta babando e seu ombro chora.

Resta-lhe duas opções, ou continuar violentamente jogando a pessoa para o lado oposto ao seu ou dormir com ela. Impressionante que a opção mais fácil nunca lhe vem à cabeça: ceder o seu lugar. Por que será?
Aqueles que por uma razão ou outra conseguem manter suas 8 horas de sono diárias, somadas às horas de sono na aula e/ou no trabalho, estão sempre descansadas e dispostas aos desafios. Tudo vale pela competitividade, até mesmo derrubar uma senhora idosa para passar à frente e sentar num bando dentro de um transporte público.
Mas, neste mundo justo em que somos obrigados a viver, estamos fadados ao equilíbrio. Este jovem ágil que conseguiu triunfalmente um lugar vago para descansar seu descansado traseiro, não ganha uma medalha, mas sim uma desgraça se ao seu lado acomodar-se uma sonhador moderno, destes que aproveitam todo e qualquer contato com o mundo globalizado para tirar os atrasos da noite.
Num primeiro momento você pode até achar a situação engraçada quando o passageiro ao seu lado começa uma dança ritmada, um vai-e-vem leve e flutuante de olhos fechados. Ele dorme, já deve até mesmo estar sonhando e não fará diferença alguma se você sorrir ou esforçar-se para ser indiferente. E você não passa neste último teste divino de benevolência: sorri.
Ao sorrir uma série de acontecimentos se desencadeiam. A bela adormecida decide que seria mais divertido "banguear" para os lados também, os movimentos se intensificam e ela encontra, timidamente, várias vezes seu ombro. Mas você ainda acha graça. E um ombro tão bem disposto se revela um confortável travesseiro e a pessoa deposita sua cachopa em você. Sua ação é reflexiva, empurra a pessoa para o outro lado. Com sorte ela acorda e desce. Com azar ela bate com mais força no seu ombro como quem marca um lugar. Com mais azar ainda ela já volta babando e seu ombro chora.

Resta-lhe duas opções, ou continuar violentamente jogando a pessoa para o lado oposto ao seu ou dormir com ela. Impressionante que a opção mais fácil nunca lhe vem à cabeça: ceder o seu lugar. Por que será?
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Coisas de dormir no transporte - O lado de quem dorme
A trilogia do sono - Parte 2
Se você é daqueles que não entende como alguém consegue dormir recostando "confortavelmente" sua cabeça em um vidro sujo e trepidante dos transportes coletivos, ou balançando de um lado para o outro, jamais entenderá como o sono é voraz em certos momentos da vida. Só o cansaço é capaz de nos vencer.

Tudo começa, quando após um dia cansativo, ao adentrar em um veículo e encontrar acento vago. Uma maldição disfarçada de benção. Você pensa: "Mas era só o que eu podia pedir depois deste dia infernal, um acento vago"; e eu acrescentaria: "...para me tornar o palhaço da vez".
Você se senta, e não percebe nada de mais. Está parado, imóvel ao lado de outro sortudo, com sua cara de peixe-morto que só aqueles que passam muito tempo em locais públicos lotados sabem fazer. Faz um movimento reflexivo, banal, que está fora do nosso controle humano, quase tanto quanto respirar: pisca. E logo percebe alguns sorrisos cínicos e marotos das pessoas. "Mas o que é que tem de tão engraçado em 'viver'? Esse cara está me tirando!". Coisas assim passam pela sua imaginação. E você respira fundo e pisca novamente, e tudo o que vê são peixes mortos.
Então você acorda. Simplesmente acorda quando outro reflexo lhe faz jogar a cabeça para cima novamente. "Novamente", sim, porque não foi a primeira vez. Estas coisas quando chegamos a perceber por conta própria é porque todos os outros já notaram.
E você acorda novamente. Nenhum esforço para manter-se acordado parece surtir qualquer efeito. E você acorda... pela última vez, decidido a tomar controle da situação: dorme por vontade própria.
Se estiver ao lado da janela, simples, nada nunca foi tão confortável quanto um vidro sujo e saculejante do início deste ensaio. Se ao seu lado, encontrar-se uma janela viva, ou um peixe morto, sua cabeça parece procurar o ombro amigo mais próximo. Aqui só é necessário o cuidado de dormir de boca fechada, mas mesmo assim você não está livre de ser acordado pelo "ombro amigo" lhe arremessando para o outro lado.
Aqui entra uma questão de gosto e ponto de vista. O que pode parecer um ato de tremenda grosseria, "agredir" uma pessoa indefesa e sonolenta, é na verdade uma benção disfarçada de maldição. Pois caso contrário você perderia a parada/estação. Por outro lado, ganharia mais um percurso da viagem para tirar o atraso do sono e ocupar a noite com coisas muito mais importantes. Usem camisinha.
Se você é daqueles que não entende como alguém consegue dormir recostando "confortavelmente" sua cabeça em um vidro sujo e trepidante dos transportes coletivos, ou balançando de um lado para o outro, jamais entenderá como o sono é voraz em certos momentos da vida. Só o cansaço é capaz de nos vencer.

Tudo começa, quando após um dia cansativo, ao adentrar em um veículo e encontrar acento vago. Uma maldição disfarçada de benção. Você pensa: "Mas era só o que eu podia pedir depois deste dia infernal, um acento vago"; e eu acrescentaria: "...para me tornar o palhaço da vez".
Você se senta, e não percebe nada de mais. Está parado, imóvel ao lado de outro sortudo, com sua cara de peixe-morto que só aqueles que passam muito tempo em locais públicos lotados sabem fazer. Faz um movimento reflexivo, banal, que está fora do nosso controle humano, quase tanto quanto respirar: pisca. E logo percebe alguns sorrisos cínicos e marotos das pessoas. "Mas o que é que tem de tão engraçado em 'viver'? Esse cara está me tirando!". Coisas assim passam pela sua imaginação. E você respira fundo e pisca novamente, e tudo o que vê são peixes mortos.
Então você acorda. Simplesmente acorda quando outro reflexo lhe faz jogar a cabeça para cima novamente. "Novamente", sim, porque não foi a primeira vez. Estas coisas quando chegamos a perceber por conta própria é porque todos os outros já notaram.
E você acorda novamente. Nenhum esforço para manter-se acordado parece surtir qualquer efeito. E você acorda... pela última vez, decidido a tomar controle da situação: dorme por vontade própria.
Se estiver ao lado da janela, simples, nada nunca foi tão confortável quanto um vidro sujo e saculejante do início deste ensaio. Se ao seu lado, encontrar-se uma janela viva, ou um peixe morto, sua cabeça parece procurar o ombro amigo mais próximo. Aqui só é necessário o cuidado de dormir de boca fechada, mas mesmo assim você não está livre de ser acordado pelo "ombro amigo" lhe arremessando para o outro lado.
Aqui entra uma questão de gosto e ponto de vista. O que pode parecer um ato de tremenda grosseria, "agredir" uma pessoa indefesa e sonolenta, é na verdade uma benção disfarçada de maldição. Pois caso contrário você perderia a parada/estação. Por outro lado, ganharia mais um percurso da viagem para tirar o atraso do sono e ocupar a noite com coisas muito mais importantes. Usem camisinha.
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sábado, 4 de outubro de 2008
Coisas de dormir no tranporte - O lado de quem vê
A trilogia do sono - Parte 1
Dentro de um transportador público, existem poucas coisas divertidíssimas que se pode fazer sem mover músculo algum. Na verdade não há quase nenhuma. Mas caso você não queria dormir durante sua viajem, uma ótima opção é observar aqueles que optaram pela primeira alternativa.

Poderia ser uma cena romântica, mas a cabeça que deita sobre o ombro amigo ao lado, revela que alguém não está tendo seu sono de beleza. A sua primeira reação é sorrir marotamente, mas um olhar mais amplo à sua volta revela que todos os outros passageiros continuam com suas carrancas de peixe-morto, indiferentes à tudo e à todos. Você se fecha, coloca a cabeça em uma posição neutra, movimentando-se apenas pelos remelexos do veículo; mas os olhos, fixos no novo casal.
O sonhador parece não notar que está dormindo e seu vai-e-vem torna-se mais significativo. Até que sua cabeça choca-se com o banco da frente (curioso como sempre há algo na frente). A bela adormecida desperta de seu sonho encantado de um salto. Põe-se ereto como um bambu, e volta a dormir. A consciência já consciente dos perigos à sua frente, derruba a cabeça para o ombro amigo (curioso como sempre cai para o lado do ombro).
Você, como bom passageiro que é, mantém-se peixe-morto. Mas por dentro há uma festa de alegrias, sua vontade é dizer: "Eu os declaro marido e mulher" seja qual for a combinação de sexos. E é difícil para você entender como alguém consegue dormir neste lugar, e chegar à este absurdo. Mas curioso mesmo é quando ambos estão dormindo. Curioso e romântico.
Dentro de um transportador público, existem poucas coisas divertidíssimas que se pode fazer sem mover músculo algum. Na verdade não há quase nenhuma. Mas caso você não queria dormir durante sua viajem, uma ótima opção é observar aqueles que optaram pela primeira alternativa.

Poderia ser uma cena romântica, mas a cabeça que deita sobre o ombro amigo ao lado, revela que alguém não está tendo seu sono de beleza. A sua primeira reação é sorrir marotamente, mas um olhar mais amplo à sua volta revela que todos os outros passageiros continuam com suas carrancas de peixe-morto, indiferentes à tudo e à todos. Você se fecha, coloca a cabeça em uma posição neutra, movimentando-se apenas pelos remelexos do veículo; mas os olhos, fixos no novo casal.
O sonhador parece não notar que está dormindo e seu vai-e-vem torna-se mais significativo. Até que sua cabeça choca-se com o banco da frente (curioso como sempre há algo na frente). A bela adormecida desperta de seu sonho encantado de um salto. Põe-se ereto como um bambu, e volta a dormir. A consciência já consciente dos perigos à sua frente, derruba a cabeça para o ombro amigo (curioso como sempre cai para o lado do ombro).
Você, como bom passageiro que é, mantém-se peixe-morto. Mas por dentro há uma festa de alegrias, sua vontade é dizer: "Eu os declaro marido e mulher" seja qual for a combinação de sexos. E é difícil para você entender como alguém consegue dormir neste lugar, e chegar à este absurdo. Mas curioso mesmo é quando ambos estão dormindo. Curioso e romântico.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Coisas de torcidas
Rivalidade entre times, de futebol mais especificamente, geram muitos lucros. Para todos os esportes (e áreas da geniabilidade) é claro. Pois evidentemente todas as piadas envolvendo estes assuntos podem ser repescadas para outras modalidades, e sempre que possível recicladas pelo rival.

Não é à toa que em tempos de guerra surgem as grandes mentes. E como times estão eternamente batalhando, os torcedores se mostram verdadeiras metralhadoras modernas de piadas. Isto quando os bárbaros não resolvem entrar em ação e mostrar, para quem estiver vendo, que a natureza humana é mesmo animal.
Empresas criam produtos para os times rivais idênticos, variando apenas pela cor, e chegam ao cúmulo de montarem lojas lado-à-lado com os produtos à mostra. Mas os torcedores são gênios, não teóricos da cromoterapia. Em geral estes produtos custam mais caro do que a qualidade oferecida, mas o uniforme para os desafios de palavras é mais importante. Nada como humilhar, verbalmente (e de forma inteligente, com piadas) o seu rival. Mesmo sabendo que amanhã você perderá a batalha pois o adversário terá pensado em uma contra-resposta ainda mais humilhante.
Observar de fora estas batalhas é realmente interessante. Sem piadas desta vez. Pois, quando mantido o nível (seja ele qual for, desde que mantido) é realmente uma batalha de neurônios.
Com tantos teóricos e críticos da futebolística, foi fácil tornar o Brasil no país do futebol, e num país com poucos intelectuais.

Não é à toa que em tempos de guerra surgem as grandes mentes. E como times estão eternamente batalhando, os torcedores se mostram verdadeiras metralhadoras modernas de piadas. Isto quando os bárbaros não resolvem entrar em ação e mostrar, para quem estiver vendo, que a natureza humana é mesmo animal.
Empresas criam produtos para os times rivais idênticos, variando apenas pela cor, e chegam ao cúmulo de montarem lojas lado-à-lado com os produtos à mostra. Mas os torcedores são gênios, não teóricos da cromoterapia. Em geral estes produtos custam mais caro do que a qualidade oferecida, mas o uniforme para os desafios de palavras é mais importante. Nada como humilhar, verbalmente (e de forma inteligente, com piadas) o seu rival. Mesmo sabendo que amanhã você perderá a batalha pois o adversário terá pensado em uma contra-resposta ainda mais humilhante.
Observar de fora estas batalhas é realmente interessante. Sem piadas desta vez. Pois, quando mantido o nível (seja ele qual for, desde que mantido) é realmente uma batalha de neurônios.
Com tantos teóricos e críticos da futebolística, foi fácil tornar o Brasil no país do futebol, e num país com poucos intelectuais.
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